Perfil clínico e sociodemográfico das pessoas com cardiopatia chagásica e insuficiência cardíaca na Santa Casa de Caridade de Diamantina: resultados preliminares de um estudo de coorte retrospectiva
DOI:
https://doi.org/10.70597/vozes.v12iESP.1248Palavras-chave:
insuficiência cardíaca, doença de Chagas, cardiomiopatia chagásicaResumo
Em Diamantina, as doenças cardiovasculares são a principal causa de mortalidade, entretanto, o perfil e as características clínicas desses pacientes no município não foram descritos ainda. Principalmente quanto à etiologia chagásica, por ser a doença de Chagas endêmica na região. Diante disso, o objetivo do presente estudo foi descrever as características sociodemográficas e clinicas da população submetidos ao teste de sorologia para doença de Chagas na Santa Casa de Caridade de Diamantina (SCCD), Minas Gerais, Brasil. Foram extraídas as características demográficas (idade, sexo e raça), etiologia da IC, evolução para óbito e a presença de comorbidades (hipertensão, diabetes, etilista, tabagista e obesidade) dos pacientes através de prontuários eletrônicos da SCCD durante o período de 1 ano e 2 meses, de 1º de abril de 2022 à 30 de junho de 2023. Os indivíduos selecionados para análise do prontuário eletrônico deste estudo, foram todos aqueles pacientes submetidos a sorologia e que testaram positivo para diagnóstico da doença de Chagas ou que tinham e/ou foram diagnosticados com IC. Cento e setenta e quatro prontuários foram avaliados e 73 pacientes foram analisados. A média da idade foi 68,7±14,8 anos, fração de ejeção do ventrículo esquerdo igual a 41% (35% a 49%) e composta por 37 homens (50,7%). Dentre todos os pacientes, 68 (93,2%) eram pardos, 48 (65,8%) hipertensos, 21 (28,8%) com algum tipo de diabetes e 19 (26,0%) já foram acometidos com acidente vascular encefálico (AVE) previamente. Além disso, 18 (24,7%) desses pacientes com IC eram de etiologia chagásica e 12 (16,4%) evoluíram para óbito. Conclui-se que a população atendida em hospital de Diamantina, apresenta um perfil sócio- demográfico específico e atrelado ao alto risco para desenvolvimento da IC e fatores de risco para pior prognóstico no curso clínico da DC.
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